RBM 24/1 (Sumário)

O longo século XIX




     
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O presente volume tem como eixo temático “O longo século XIX” e apresenta posicionamentos críticos pertinentes ao estudo da música no Brasil do período, especialmente voltados a questões de identidade e alteridade, sob as perspectivas diversas da crítica cultural, da história da recepção, da sociologia, dos estudos estilísticos, da história cultural e dos estudos da música popular. Conta com as contribuições de Ralph Locke (Universidade de Rochester), Marcos Virmond e Irandi Daroz (Universidade Sagrado Coração), Zoltan Paulinyi (Universidade de Évora), Márcio Páscoa (Universidade do Estado do Amazonas), Lutero Rodrigues (Universidade Estadual Paulista), João Vidal (UFRJ), Marcelo Verzoni (UFRJ) e Uliana Ferlim (Universidade de Brasília).

A homenagem de Ricardo Lins a Jaime Diniz é seguida das resenhas de Fábio Zanon (Royal Academy of Music, de Londres) e Maria Lúcia Pascoal (Unicamp) sobre livros publicados recentemente.

A RBM presta a sua homenagem ao historiador da música brasileira Vasco Mariz pelo seu aniversário de 90 anos com a entrevista realizada por Ricardo Tacuchian (Unirio e Academia Brasileira de Música).

André Cardoso (UFRJ e Academia Brasileira de Música) apresenta a partitura “Gavota” e “Minueto” para cordas de O Contratador dos Diamantes, de Francisco Braga, localizada no acervo desta instituição brasileira, concluindo o percurso deste volume dedicado ao século XIX.


EDITORIAL

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ARTIGOS


Uma ampla visão do exotismo musical

Ralph P. Locke 

Resumo

A maioria dos estudos anteriores sobre o exotismo musical reflete a suposição tácita de que uma obra é entendida pelo ouvinte como exótica somente se incorpora elementos distintivamente exógenos ou altamente incomuns quanto ao estilo musical. Esse Paradigma “Apenas Estilo Exótico” mostra-se muitas vezes elucidativo, particularmente quando aplicado a obras puramente instrumentais. Em óperas e outras obras dramático-musicais ambientadas em locais exóticos, pelo contrário, a música é ouvida dentro de um “quadro” narrativo que induz a resposta do ouvinte. No entanto, a bibliografia existente sobre o “exótico na música” tende a concentrar sua atenção em poucas cenas ou passagens que “soam não ocidentais”. E também tende a omitir as muitas óperas e oratórios dramáticos da era barroca que focam em tiranos orientais desprezíveis. Este artigo propõe o Paradigma “Todas as Músicas em Pleno Contexto”, visando contribuir para dar sentido a uma variedade de retratos musicais do exótico, bastante diversificados na mensagem e nos meios. Trechos das seguintes obras são analisados para discutir os diversos aspectos do problema: Les Indes galantes, de Rameau; Belshazzar de Handel; Carmen, de Bizet; e Madama Butterfly, de Puccini. Cada caso guarda uma gama completa de componentes artísticos, inclusive dispositivos musicais pertencentes ou alheios ao vocabulário exótico tradicional, que enriquecem nossa compreensão de quão diverso, poderoso e, às vezes, perturbador pode ser o processo de exotização em gêneros que combinam a música e a representação dramática.

Palavras-chave

Ópera – século XVIII – século XIX – exotismo.

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Orientalismo e discurso dramático-musical no “Notturno” de Condor, de Carlos Gomes

Marcos Virmond e Irandi Daroz 

Resumo

Condor foi estreada em 1891, no teatro Scala, de Milão. De temática oriental, a ópera não obteve sucesso duradouro, em parte devido ao libreto pouco identificado com a estética do período. Entretanto, a música de Condor representa um significativo avanço na produção de Carlos Gomes, com uma nova proposta de estruturação melódica e coesão temática. Carlos Gomes tem sido pouco discutido em termos de análise musical, um caminho necessário e essencial para revisar o mito e revelar o artista maduro e competente. Este estudo pretende investigar as relações entre o discurso musical e dramático do “Notturno” que antecede o terceiro ato de Condor, considerando as convenções das óperas exóticas bem como tendências mais amplas no tratamento dramático-musical nas últimas décadas do século XIX. Conclui-se que o trecho em questão apresenta-se como uma síntese dos eventos dramáticos dos atos anteriores e preparação do ato conclusivo..

Palavras-chave

análise musical – ópera – orientalismo – exotismo – Antônio Carlos Gomes – século XIX – música no Brasil. 

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Transcrições de Flausino Vale para violino solo dados

Zoltan Paulinyi 

Resumo

Uma recente divulgação de novas obras do acervo de Flausino Vale (1894–1954) permitiu acesso a mais de uma centena de transcrições suas para violino solo. Este artigo publica integralmente três obras nesta categoria: “A Casinha Pequenina” do paraense Bernardino Belém de Souza, as “Variações sobre a canção Paganini” de Franz Lehár e a primeira parte do estudo n° 3, opus 10, de Chopin, renomeada por Flausino para “Tristeza Eterna – canção”. A primeira peça exibe a criatividade da transcrição sob duas formas: com e sem arco. A segunda utiliza a transcrição como tema para o desenvolvimento de obra original. A terceira explora a técnica polifônica no violino. Essas obras procuram mostrar que a transcrição pode agregar valor à composição original..

Palavras-chave

Flausino Vale – transcrição – arranjo – violino solo – século XIX – século XX – música no Brasil.

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A ópera como reflexão sobre a construção do espaço e da identidade na Amazônia do século XIX

Márcio Páscoa 

Resumo

O século XIX testemunhou uma mudança na estratégia de ocupação espacial e cultural da Amazônia. Apoiada na pujante economia do Ciclo da Borracha, a região acumulou riquezas que se reverteram em bens diversos. O cultivo da ópera não serviu apenas para a construção de valores burgueses, mas como veículo da discussão de ideias sobre o Homem, sua identidade e a relação com o meio.

Palavras-chave

ópera – Brasil – Amazônia – século XIX – identidade – música no Brasil.

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Carlos Gomes, os modernistas e Mário de Andrade

Lutero Rodrigues

Resumo

O artigo apoia-se em pesquisa bibliográfica para avaliar a real dimensão das manifestações modernistas contrárias a Carlos Gomes, principalmente em torno da Semana de Arte Moderna; e compará-las com sua repercussão posterior. Acompanha o comportamento daquelas manifestações até o final do movimento modernista e, a partir dali, concentra-se no estudo de numerosas menções a Carlos Gomes, existentes em textos referenciais de Mário de Andrade, até o final de sua vida. Busca, então, situar o que ocorreu com o compositor, num contexto histórico-cultural mais amplo.

Palavras-chave

Carlos Gomes – Modernismo – Mário de Andrade – ópera – século XIX – século XX – música no Brasil.

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Nepomuceno e Max Bruch: análise de uma (recém-descoberta) conexão

João Vida 

Resumo

O artigo trata da parte da formação de Nepomuceno, na Alemanha, relativa aos estudos na Akademie der Künste de Berlim, enfocando o tema face à (até há pouco ignorada) notícia de que o compositor estudou na instituição não apenas com Heinrich von Herzogenberg, mas também com o célebre compositor Max Bruch. Procura-se além de uma abordagem que contemple o cosmopolitismo de Nepomuceno (expresso na parte de sua obra em que não se verificam tentativas em direção a uma “música nacional”), esclarecer as condições em se que deu esse contato, sobre o qual nem o próprio compositor prestou informações. Como exemplo da possível influência de Bruch na música de Nepomuceno, apresenta-se uma breve análise do primeiro movimento de seu Quarteto de cordas no 3 em ré menor, obra cuja data de composição corresponde àquela em que fazia parte das Meisterschulen für musikalische Komposition da Akademie.

Palavras-chave

Alberto Nepomuceno – Max Bruch – Akademie der Künste de Berlim – século XIX – música no Brasil – quarteto de cordas.

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Chiquinha Gonzaga e Ernesto Nazareth: duas mentalidades e dois percursos

Marcelo Verzoni

Resumo

Neste artigo, o autor tem como objetivo principal apontar diferenças entre os compositores-pianistas Chiquinha Gonzaga (1847-1935) e Ernesto Nazareth (1863-1934), que atuaram intensamente na vida musical do Rio de Janeiro desde a segunda metade do século XIX até os primeiros anos da década de 1930. O artigo foi desenvolvido a partir da constatação de ambos serem tratados da mesma maneira por diversos autores de Histórias da Música no Brasil. Esta postura, reducionista e simplificadora, pode ser explicada por serem estes autores, majoritariamente, pessoas ligadas ao mundo da música de concerto e por não terem se aprofundado no exame das produções destes artistas mais populares. A partir de um exame mais pormenorizado de questões de origem familiar, de formação social, de posicionamentos políticos e estéticos, de características psicológicas individuais, observando também os ambientes que ambos frequentavam e os públicos que desejavam alcançar, o autor constrói um texto que traz à luz diferenças profundas entre as pessoas e as produções musicais de Chiquinha Gonzaga e de Ernesto Nazareth.

Palavras-chave

Chiquinha Gonzaga – Ernesto Nazareth – piano – música de salão – tango – polca – habanera – século XIX – música no Brasil.

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Catulo da Paixão Cearense e os embates cancioneiros na virada do século XIX ao XX no Rio de Janeiro

Uliana Dias Campos Ferlim

Resumo

A trajetória artística de Catulo da Paixão Cearense é aqui tratada para demonstrar os principais embates em torno do fazer musical na virada do século XIX ao XX, no Rio de Janeiro. Catulo, poeta que se aliou a músicos para um projeto de reconhecimento artístico, pretendia modernizar a arte da modinha. Concepções sobre o fazer musical, mais especificamente, sobre o fazer poético-musical, sobre a composição de canções, são os principais temas deste artigo, tecidos através da própria fala de Catulo e das ações de indivíduos componentes de um amplo círculo social que envolvia artistas, músicos, literatos, jornalistas e intelectuais. São discutidas questões sobre identidade nacional, sobre a identidade social desses artistas, e sobre um novo mercado de bens culturais que se ampliava na capital federal naquele momento. Cada ator estabelece significados diferentes para esse fazer musical.

Palavras-chave

modinha – música popular – Rio de Janeiro – Catulo da Paixão Cearense – identidade nacional – mercado cultural – século XIX – século XX – música no Brasil.

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MEMÓRIA

O legado de Jaime Diniz (1924–1989)

Ricardo Meira Lins 

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RESENHAS

Humberto Amorim. Heitor Villa-Lobos e o Violão. Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Música, 2009. 183 p., ilustr., ex. music., facsim., bibliogr. ISBN 978- 85-88272-22-4.

Fábio Zanon

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Paulo de Assis (org.). Jorge Peixinho. Escritos e entrevistas. Lisboa, Porto: Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical, Casa da Música, 2010. 404 p. ilustr., ex. music., ms. facsim., bibliogr. ISBN 978-989-95698-6-7.

Maria Lúcia Pascoal

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ENTREVISTA

Vasco Mariz em seus 90 anos: um pesquisador dedicado à música brasileira

Ricardo Tacuchian

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ARQUIVO DE MÙSICA BRASILEIRA

Introdução a “Gavota” e “Minueto”, de O contratador dos diamantes de Francisco Braga

André Cardoso

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 O contractador dos diamantes

Francisco Braga (1868-1945)

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