RBM 26/2 (Sumário)

Música em espaços urbanos




     
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Este volume traz o eixo temático “Música em espaços urbanos” e apresenta abordagens que se consolidaram recentemente na musicologia ao lado de outras que vêm ocupando a pesquisa musical há mais tempo. Os artigos que compõem este volume tratam de conjunturas musicais das Américas e Europa.

Os três artigos iniciais são embasados metodologicamente na etnografia urbana e têm como pano de fundo os aspectos relacionados à profissionalização do músico. O primeiro e o terceiro artigos tratam da relação entre a produção musical independente e a indústria fonográfica. O segundo aborda práticas musicais balizadas por critérios de excelência nativos que têm como consequência a inserção no mercado profissional. O quarto artigo discute o regionalismo em sua busca pelas especificidades locais e sua relação com o nacionalismo na música brasileira. O artigo seguinte oferece uma aproximação com os estudos literários para uma valoração crítica da canção popular brasileira. O último artigo contribui com um estudo de caso segundo abordagem consolidada na educação musical. O artigo de abertura, de David Hesmodhalgh (Universidade de Leeds, Reino Unido) discute as novas tecnologias musicais em processos de apropriação do local pelo global e suas implicações éticas, políticas e financeiras no que tange aos direitos autorais – autoria e propriedade – na utilização de materiais musicais alheios, sejam de autores individuais ou do patrimônio musical das diversas tradições culturais. Aborda questões de intertextualidade, recontextualização de materiais sonoros e “empréstimo cultural” em conjuntura de mercantilização do entretenimento e globalização da indústria musical. Oferece reflexão de especial interesse por abordar um grupo de músicos e profissionais de estúdios de gravação conscientes, posicionados e mesmo comprometidos com questões éticas, raciais, religiosas e políticas. O artigo seguinte, de Ricardo Pinheiro (Universidade Lusíada de Lisboa) oferece uma análise da ocasião performativa central do jazz como contexto de regulação da performance, cujo domínio do repertório e da linguagem musical, bem como o desenvolvimento de novas abordagens à improvisação propiciam a construção de relações de autoridade entre os músicos e o estabelecimento de redes profissionais. O artigo de Lucas de Freitas (Faculdade José Lacerda Filho, Ipojuca, Pernambuco) trata da produção musical independente e sua relação com a indústria fonográfica no contexto das novas tecnologias musicais, especialmente a ampla utilização dos processos digitais e da internet na produção e distribuição de música. Aborda as novas dinâmicas de consumo musical e as novas configurações de autoria permitidas pelas novas tecnologias. De especial interesse, o caso em estudo contraria a tendência contemporânea de produções cada vez mais coletivizadas e concentra todas as etapas do processo de criação e produção de um disco no autor, o ultra-autor.

O artigo de Carlos Eduardo Amaral (Universidade Federal de Pernambuco), trata da construção do regionalismo como modalidade de nacionalismo e questiona as tendenciosidades presentes na construção das características constitutivas de um estilo e repertório regionalista, e também na inserção de um movimento regionalista nas políticas públicas à luz de parâmetros de ação transformadora da cultura para o empoderamento social, educacional e cultural. O artigo de Luis Eduardo Veloso Garcia (Universidade Estadual de Londrina) oferece um balanço crítico do cancioneiro de prolífico letrista brasileiro, segundo a apreciação de cronistas e críticos musicais, compositores e músicos. O artigo de Rosemyriam Cunha (Faculdade de Artes do Paraná) trata da prática musical coletiva e propõe uma análise do discurso que considera os aspectos sociais, cognitivos e afetivos do universo relacional.

Na seção Memória, Ricardo Tacuchian (Academia Brasileira de Música) presta uma homenagem póstuma com um ensaio sensível sobre o legado do historiador, etnólogo e musicólogo brasileiro Vicente Salles. A entrevista deste número, conduzida pelo compositor Edino Krieger (Academia Brasileira de Música) presta uma homenagem ao compositor Aylton Escobar, que completa 70 anos, refletindo sobre a trajetória musical e seu tempo e oferecendo um balanço sobre a criação musical contemporânea.

Na seção Arquivo de Música Brasileira, Alberto Pacheco (Universidade Nova de Lisboa) apresenta um texto introdutório e a edição musicológica do Hino à Independência do Brasil, de autoria de D. Pedro I, com base no manuscrito original sob a guarda do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.


EDITORIAL

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ARTIGOS


Tempos internacionais: fusões, exotismos e antirracismo na música eletrônica dançante

David Hesmondhalgh

Resumo

Este ensaio busca analisar a complexa política de tecnologia, representação e instituição na música popular. Traça a história das gravadoras independentes britânicas, particularmente da música eletrônica dançante, com base em pesquisa realizada em Londres na década de 1990. O estudo etnográfico da companhia Nation Records é discutido à luz da complexa política cultural da conjuntura da década de 1990.

Palabras clave

Música eletrônica dançante – século XX – autoria – indústria cultural – tecnologia – crítica cultural.

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Jam sessions em Manhattan: socialização dos músicos de jazz e regulação da performance

Ricardo Pinheiro

Resumo

Estudo etnográfico das práticas musicais e sociais de jam sessions como contexto de regulação da performance do jazz e socialização dos músicos, nomeadamente no que diz respeito à integração dos músicos na cena do jazz e para o estabelecimento do seu estatuto. As jam sessions em Manhatan, Nova York, entre os anos de 2003 e 2005, são analisadas em seus aspectos musicais e orientações estéticas, a interacção entre os músicos no reconhecimento mútuo de capacidade musical e relações hierárquicas, o desenvolvimento de novas abordagens à improvisação, o estabelecimento de redes profissionais, a relação com a audiência e outros componentes importantes na configuração do evento e na relação com o meio envolvente.

Palavras-chave

Jazz – estudos de performance – prática social e musical – etnografia urbana – E.U.A. – improvisação.

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Vinicius Enter, o ultra-autor ou o Dedo indicador da ultra-autoria

Lucas de Freitas

Resumo

Montado como uma mão, com cada dedo apontando para um aspecto relevante na compreensão de um disco fascinante, desconhecido e contraditório, este artigo pretende cutucar a obra ímpar do músico Vinicius Enter: Dedo indicador. Do dedo mínimo, com uma espécie de biografia, passando pelo anular e a ligação com o Manguebit, pelo “maior de todos” e a cena independente de música, ao dedo polegar, a ultra-autoria e a tentativa de uma conclusão aberta sobre o álbum Dedo indicador e o modo peculiar de experimentar a autoria na produção musical contemporânea, o artigo é uma leitura pessoal ancorada em entrevistas (realizadas por mim e por outros jornalistas), observações do contexto históricocultural e escutas do disco em questão. Tendo como foco as relações entre música, tecnologia, autoria e contemporaneidade, este texto viaja pelas conexões pouco usuais entre esses assuntos na prática musical de Vinicius Enter e seu Dedo indicador.

Palavras-chave

Música popular brasileira – século XX – autoria – tecnologia musical – indústria fonográfica – produção musical independente.

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Premissas estéticas e ideológicas da música armorial

Carlos Eduardo Amaral

Resumo

O período mais ativo do Movimento Armorial, manifesto artístico lançado pelo escritor Ariano Suassuna em 1970 no Recife, teve como grupos mais representativos na área da música a Orquestra Armorial e o Quinteto Armorial. Este ensaio discute as premissas estéticas que influenciaram a criação do repertório musical Armorial, no intuito de apontar contrassensos de discurso e questionar aspectos estéticos, dentro um contexto cultural que envolve fatores musicais e extramusicais tanto contemporâneos quanto anteriores ao próprio Movimento.

Palavras-chave

Música brasileira – século XX – Movimento Armorial – nacionalismo musical – regionalismo – políticas públicas.

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Facetas da canção de Aldir Blanc, o “ourives do palavreado”

Luis Eduardo Veloso Garcia

Resumo

O artigo em questão objetiva refletir a produção de canções do “Ourives do Palavreado” Aldir Blanc através de diversas opiniões teóricas referentes a sua obra. Levantando, portanto, a visão de grandes nomes de nossa cultura como Dorival Caymmi, Roberto M. Moura, Sérgio Alcides, Sérgio Cabral e muitos outros buscaremos não somente definir a obra deste compositor, mas também compreender o valor que esta carrega para a canção nacional.

Palavras-chave

Música popular brasileira – Século XX – canção – crítica musical.

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A prática musical coletiva

Rosemyriam Cunha

Resumo

Este estudo investigou a prática musical coletiva sob a perspectiva de autores que consideram a música uma ação humana. Participaram da pesquisa dois grupos: uma banda instrumental e um coro. A metodologia constou da observação de ensaios e de entrevistas individuais semiestruturadas. O material foi analisado por meio da técnica da análise do discurso que revelou a complexidade do espaço do fazer musical coletivo no qual, além da produção da música, objetivo primordial do grupo, outros aspectos como os sociais, cognitivos e afetivos, compõem o universo relacional que se estabelece quando as pessoas se reúnem para fazer música.

Palavras-chave

Prática musical coletiva – Trajetória de vida – sociabilidade – afetividade – cognição.

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MEMÓRIA

O legado de Vicente Salles (1931-2013)

Ricardo Tacuchian

Resumo

Vicente Salles foi um historiador, etnólogo e musicólogo brasileiro que deixou um legado para as próximas gerações de pesquisadores, um legado sobre a história, a música e a cultura popular da região Norte do Brasil. Seu acervo está alocado no Museu da Universidade Federal do Pará.

Palavras-chave

Musicologia – Norte do Brasil – folclore – cultura popular – historiografia.

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ENTREVISTA

Aylton Escobar aos 70 anos: diálogo com Edino Krieger

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ARQUIVO DE MÚSICA BRASILEIRA

Notas introdutórias ao Hino da Independência do Brasil (ms. IHGB), de D. Pedro Iz

Alberto Pacheco

Resumo

Texto introdutório à edição crítica do Hino à Independência do Brasil, de autoria de D. Pedro I do Brasil, IV de Portugal (Queluz, 12 de outubro de 1798 – 24 de setembro de 1834), com base no manuscrito original sob a guarda do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Oferece a descrição da fonte e notas críticas.

Palavras-chave

História luso-brasileira – século XIX – hino – D. Pedro.

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Hino da Independência do Brasil (edição de Alberto Pacheco)

D. Pedro I

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