RBM 27/1 (Sumário)

Edição comemorativa dos 80 anos da RBM




     
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A Revista Brasileira de Música comemora seus 80 anos e consolida sua política editorial de internacionalização e democratização do acesso ao conhecimento. Criada em 1934, a RBM é o periódico acadêmico-científico da área de música mais antigo do Brasil e da América Latina ainda em circulação. Periódico lançado sob a tutela da mais antiga instituição de ensino musical deste país – a atual Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro, fundada em 1848 como Conservatório de Música – a RBM encontra-se atualmente sob a responsabilidade deste que é também o mais antigo Programa de Pós-graduação em Música do Brasil, criado em 1980. O próprio pioneirismo desta instituição na implantação da pós-graduação em música no Brasil tem imposto o ônus e o bônus dos desafios que atingem toda a área no âmbito da universidade e na conceituação de sua contribuição enquanto instância de pesquisa e de produção de conhecimento. O lastro institucional da RBM e seu zelo pela qualidade acadêmica têm sensibilizado a comunidade numa ampla gama de segmentos, entre estudiosos, pesquisadores, colaboradores, interlocutores, leitores e representantes institucionais, do Brasil e do exterior, e sua permanência em circulação é uma vitória não apenas para a universidade, mas também para toda a sociedade brasileira.

A ideia de uma revista científica dedicada à música foi consequência natural da inserção do então Instituto Nacional de Música na estrutura da primeira universidade pública brasileira, a Universidade do Rio de Janeiro, criada em 7 de setembro de 1920. Sem perder suas características históricas de centro de formação de músicos, o Instituto Nacional de Música, a partir de então, abriu espaço para novas áreas do conhecimento musical, especialmente após o fim da República Velha e as transformações modernizantes decorrentes da nova ordem política estabelecida no Brasil com a chamada Revolução de 1930.

O Decreto nº 19.852, de 11 de abril de 1931, do ministro Francisco Campos, estabeleceu a reforma do ensino universitário. No INM, a reforma curricular foi elaborada por uma comissão formada por Luciano Gallet, Sá Pereira e Mário de Andrade. Entre as inúmeras propostas estava a implementação de novas disciplinas como História da Música e Folclore Nacional. Estavam lançadas, portanto, as bases para a criação da Revista Brasileira de Música. Em março de 1934, foi lançado o primeiro número, tendo como editor o musicólogo Luiz Heitor Corrêa de Azevedo. Em seu texto de apresentação o então diretor, o pianista Guilherme Fontainha, dizia que “faltava ao INM um órgão de publicação onde o aluno pudesse acompanhar todos os passos do progresso musical”. Até 1945, a RBM foi publicada ininterruptamente, lançou vinte e cinco números em dez volumes. Em 1946, paradoxalmente após a redemocratização do país, ao fim da ditatura de Getúlio Vargas, a RBM deixou de ser publicada. Foram 37 anos de silêncio. A saída de seu editor certamente foi decisiva para a interrupção de sua periodicidade. Em 1980, a publicação da RBM foi retomada em periodicidade anual. A regularidade de sua publicação, entretanto, sempre dependeu do interesse de seu principal responsável, aquele que regimentalmente é o editor da RBM: o diretor da Escola de Música. O último número foi publicado em 2002, durante a gestão do prof. João Guilherme Ripper.

Por proposta da Direção sob a gestão do prof. André Cardoso e decisão da Congregação da Escola de Música, a RBM passou em 2008 para a responsabilidade do Programa de Pós-graduação, com periodicidade semestral. Inicialmente sob a editoria do Coordenador do Programa de Pós-graduação, teve sua edição retomada pelo prof. Marcelo Verzoni e em 2010 a profa. Maria Alice Volpe foi incumbida para o cargo de editora-chefe pela Comissão Deliberativa da Pós-graduação e pela Congregação da Escola de Música. Desde então, a editoria da RBM assumiu o desafio de se adequar às exigências dos sistemas indexadores contemporâneos em busca de um extrato indicativo de qualidade e atinge hoje a classificação A2 – o segundo extrato superior do Qualis Capes Periódicos. A RBM soma esforços para o crescimento institucional de instância que têm desempenhado liderança na área e que está em fase de implantação do curso de doutorado no Programa de Pós-Graduação em Música.

A Revista Brasileira de Música visa a incentivar a pesquisa em música nas diversas abordagens interdisciplinares, mantendo o seu amplo escopo sobre todos os ramos da música. Tradicional veículo de difusão dos assuntos relacionados à música brasileira e no Brasil, a RBM considera oportunas as contribuições sobre questões relacionadas a outras regiões culturais que possam promover o diálogo com a comunidade internacional de especialistas, bem como amplas discussões concernentes à área.

Periódico de tradição, a Revista Brasileira de Música contou com colaboradores como Mário de Andrade, Luís Heitor Correa de Azevedo, Ayres de Andrade e, mais recentemente, Robert Stevenson, Gerard Béhague, Régis Duprat, Ricardo Tacuchian, Ilza Nogueira, Elizabeth Travassos, Samuel Araújo, Cristina Magaldi, Manoel Aranha Corrêa do Lago, Juan Pablo González, Robin Moore, Elliott Antokoletz, Ralph Locke, David Hesmondhalgh, entre outros.

A RBM dirige-se à comunidade acadêmico-científica em seu amplo espectro de pesquisadores da música, músicos, historiadores, antropólogos, sociólogos e estudiosos da cultura e áreas afins. Com periodicidade semestral e distribuição nacional e internacional, a RBM apresenta-se em versão impressa e eletrônica. A revista é gentilmente distribuída para bibliotecas, universidades e demais instituições de natureza educacional, científica e cultural, do Brasil e do exterior, que tenham interesse na música brasileira, latino ou ibero-americana.
Este volume comemorativo dos 80 anos da Revista Brasileira de Música é composto por artigos que contribuem para a compreensão do contexto histórico, político e institucional em que surgiu este periódico, bem como da trajetória de seu principal editor, Luiz Heitor Corrêa de Azevedo.

Na seção Arquivo de Música Brasileira, Manoel Aranha Corrêa do Lago (Academia Brasileira de Música) apresenta um texto introdutório e a edição musicológica da modinha harmonizada por Heitor Villa-Lobos, Onde nosso amor nasceu, com base no manuscrito autógrafo localizado na Coleção Mozart de Araújo do Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro.


EDITORIAL

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ARTIGOS


“Pela cultura genuína das Américas”: folclore musical e política cultural do Pan-americanismo, 1933-1950

Corinne A. Pernet

Resumo

Este ensaio busca analisar a complexa teia de relações interpessoais entre folcloristas e profissionais da cultura em diversos países das Américas na época da política da boa vizinhança. Sob a perspectiva da teoria pós-colonial, enfoca a arena de redes culturais e instituições transnacionais relacionadas ao campo do folclore musical e propõe que a dicotomia entre centro e periferia nem sempre oferece uma boa perspectiva para compreender o impacto dos Estados Unidos na América Latina. O exame da política interamericana da voga do folclore nas Américas, entre 1930 e 1940, mostra que existiu um considerável espaço para compartilhamento e negociação.

Palavras-chave

Folclore – americanismo musical – pan-americanismo – política de boa vizinhança – política cultural EUA e América Latina – século XX.

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O estado atual e potencial da pesquisa musical na América Latina

Luiz Heitor Corrêa de Azevedo

Resumo

Palestra proferida por Luiz Heitor Corrêa de Azevedo (1905-1992) em Nova York em 1968, então professor visitante da Universidade de Tulane, EUA. Este ensaio oferece um panorama da pesquisa musical, com ênfase na musicologia histórica, os estudos de folclore e a etnomusicologia, nos diversos países da América Latina até a década de 1960. A América Latina foi excluída ou mal representada nas enciclopédias, dicionários e histórias da música europeias até a Segunda Guerra Mundial. Paralelamente, a pesquisa musical na América Latina tem-se desenvolvido, sobretudo a partir da década de 1930. O arrolamento dos principais assuntos abordados, autores e publicações por pesquisadores latino-americanos e latino-americanistas é discutido no contexto institucional do inter-americanismo musical.

Palavras-chave

Musicologia – folclore – etnomusicologia – historiografia musical – americanismo musical – América Latina – século XX.

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A Revista Brasileira de Música vista da correspondência de Mário de Andrade

Flávia Camargo Toni

Resumo

A correspondência de Mário de Andrade com Luciano Gallet e com Luiz Heitor Corrêa de Azevedo é aqui analisada com o intuito de se acompanhar a história da fundação de três periódicos, a saber, Weco, a Revista da Associação Brasileira de Música e a Revista Brasileira de Música. Partindo do pressuposto de que as redações das revistas espelhavam “redes de sociabilidade”, à semelhança daquelas observadas nos diálogos epistolares, analisa-se em que medida essa equivalência se opera entre os periódicos de música: nas cartas trocadas entre os secretários e diretores de redação e seus colaboradores fala-se a respeito do que? Os três musicólogos partilham experiências no campo do periodismo? No caso particular do escritor paulista, que habitualmente compartilhava projetos de criação com os amigos, é possível flagrar a gênese de seus artigos?

Palavras-chave

Periodismo – epistolografia – redes de sociabilidade – musicologia no Brasil – história institucional.

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A correspondência de Luiz Heitor com Dulce Lamas: uma dimensão histórica

Jairo Botelho Cavalcanti

Resumo

As cartas de Luiz Heitor Corrêa de Azevedo (1905-1992) para Dulce Martins Lamas (1941-1992) desvelam boa parcela dos projetos que integraram o longo caminho do musicólogo em sua vida profissional e pessoal, como pesquisador e representante da UNESCO. Durante quase cinco décadas de exílio, com retornos esporádicos à pátria mãe, Luiz Heitor manteve contatos assíduos, via correspondência, com sua maior colaboradora, a professora Dulce Lamas. Somam-se centenas de cartas que trazem à luz aspectos de sua trajetória profissional e institucional

Palavras-chave

Musicologia brasileira – folclore – historiografia musical – periódicos musicais – epistolografia.

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Organização do Museu Instrumental Delgado de Carvalho da Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) a partir da representação documentária de instrumentos musicais

Dolores Castorino Brandão

Resumo

O presente trabalho aborda a organização do acervo do Museu Instrumental Delgado de Carvalho da Escola de Música/UFRJ por meio da representação temática e descritiva dos instrumentos musicais para fins de recuperação da informação. A insuficiência de normas internacionais de representação para esse fim e a escassez de estudos sobre o tema no Brasil, ensejaram a realização desse trabalho. Inicialmente foram estudadas as normas e padrões existentes nas áreas de Biblioteconomia, Museologia e Organologia que possam ser utilizadas para a organização do acervo. Obteve-se como resultado uma proposta para a representação de instrumentos musicais na base Minerva da UFRJ, utilizando-se os padrões biblioteconômicos AACR2 e MARC 21. Foi desenvolvido também, um protótipo de vocabulário controlado no campo em estudo com vistas a contribuir para a organização temática do acervo. A pesquisa evidenciou a necessidade de estudos complementares em linguagem documentária especializada na área de música, visando à construção de um thesaurus no domínio de instrumentos musicais.

Palavras-chave

Representação descritiva – instrumentos musicais – classificação de instrumentos musicais – linguagem documentária.

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MEMÓRIA

Mercedes Reis Pequeno: reminiscências sobre Luiz Heitor Corrêa de Azevedo, Carleton Sprague Smith, Charles Seeger e outros

Henrique Drach

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ENTREVISTA

Depoimento de Luiz Heitor Corrêa de Azevedo no Museu da Imagem e do Som, Rio de Janeiro, 17 de julho de 1972 – entrevistadores: Cleofe Person de Mattos, Mercedes Reis Pequeno, Aloísio de Alencar Pinto, Dulce Lamas e Eurico Nogueira França

Henrique Drach

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ARQUIVO DE MÚSICA BRASILEIRA

Villa-Lobos: Onde nosso amor nasceu (coleção Canções típicas brasileiras nº 13), Manuscrito P3015, Coleção Mozart Araújo, CCBB-RJ

Manoel Aranha Corrêa do Lago

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Onde nosso amor nasceu (coleção Canções Típicas Brasileiras nº 13) (edição de Manoel Aranha Corrêa do Lago e Carlos Braga)

Heitor Villa-Lobos

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