RBM 27/2 (Sumário)

Música popular: história, etnografia e sociologia




     
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A Revista Brasileira de Música tem a satisfação de apresentar neste volume o eixo temático “Música popular: história, etnografia e sociologia”, que dá continuidade ao um universo de pesquisa anteriormente apresentado no volume “Música em espaços urbanos”. Ambos apresentam abordagens que se consolidaram recentemente na musicologia. Os artigos que compõem este volume discutem a música popular urbana no Brasil e alguns de seus movimentos representativos dos séculos XX e XXI.

O artigo inicial toma o registro fonográfico como a fonte central de suas abordagens. O artigo seguinte adota o conceito antropológico do imaginário e o método da análise textual. O terceiro artigo adota uma abordagem sociológica para a música em contexto de conflito, desigualdade e violência na construção do conhecimento na etnomusicologia. O quarto artigo contribui com um estudo de caso sobre assunto polêmico em diversos segmentos da sociedade, que intersectam o corpo jurídico, as políticas públicas, instituições e a comunidade de profissionais da área de música. Os dois artigos seguintes contribuem para o aprofundamento das reflexões sobre a historiografia musical brasileira. E o último artigo lança perspectiva sobre um compositor brasileiro do final do século XIX e início do século XX, cuja importância aguarda estudos mais aprofundados.

O artigo de abertura, de Jonas Soares Lana (PUC-RJ) discute a importância do arranjador e do arranjo na definição dos sentidos da canção, aproximando o movimento tropicalista dos conceitos de paisagem sonora, resignificando suas propostas no contexto cultural dos anos 1960. O artigo de Sílvio Anaz (PUC-SP) propõe um mapeamento do imaginário do amor romântico no pop-rock brasileiro e internacional a partir da identificação dos principais elementos simbólicos presentes em repertórios representativos dos gêneros que foram sucessos no cenário brasileiro e anglo-americano a partir dos anos 1950. O artigo de Gustavo Souza Marques (UFMG) discute a violência como um elemento formador da música em contexto de conflito na cultura hip-hop e música rap, predominantemente masculinizado e, corroborando a proposta da mudança da dialética da malandragem para a dialética da marginalidade, aponta para os traços ideológicos e sonoros da reprodução da violência no discurso do rap. O artigo de Luciana Mesquita (Universidad Nacional Del Sur) oferece um estudo comparativo dos ordenamentos jurídicos do Brasil e da Argentina concernentes aos direitos de propriedade intelectual sobre obras musicais. O artigo de Aloysio Fagerlande (UFRJ) oferece um balanço bibliográfico do fagote na música brasileira, desde o século XVII até a última década do século XIX, constituindo subsídio importante para o avanço da pesquisa no assunto. O texto de Vicente Salles (ABM) oferece uma perspectiva interessante do pensamento musicológico brasileiro relativo ao nacionalismo musical. O artigo de Maria Alice Volpe (UFRJ e ABM) apresenta uma súmula sobre a vida, produção composicional e recepção da obra do compositor Homero de Sá Barreto, até então pouco pesquisado.

Na seção Memória, Marena Isdebski Salles evoca sua dinâmica de trabalho com seu esposo, o historiador, etnólogo e musicólogo paraense Vicente Salles (1931-2013), relatando o modo como compartilhavam suas experiências musicológicas.

Na seção Arquivo de Música Brasileira, Maria Alice Volpe (UFRJ) apresenta um texto introdutório à Elegia para violoncelo (ou violino) e piano, do compositor paulista Homero de Sá Barreto (1884-1924), cuja edição musicológica foi realizada em colaboração com seus orientandos Mário Alexandre Dantas Barbosa, Wagner Gadelha e Igor Chagas (UFRJ).

Na seção Memória, Marena Isdebski Salles evoca sua dinâmica de trabalho com seu esposo, o historiador, etnólogo e musicólogo paraense Vicente Salles (1931-2013), relatando o modo como compartilhavam suas experiências musicológicas.


EDITORIAL

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ARTIGOS


Ambiguidade e presentificação no arranjo de Rogério Duprat para a gravação tropicalista de ‘Não identificado’ por Gal Costa (1969)

Jonas Soares Lana

Resumo

Neste trabalho, proponho uma análise da gravação tropicalista da canção “Não identificado” por Gal Costa (1969), enfocando o diálogo entre as palavras cantadas e o arranjo musical de Rogério Duprat. Paródia reverente das baladas de Roberto Carlos, a canção se apresenta como uma mensagem de amor platônico que viaja a bordo de um disco lançado simultaneamente como LP e óvni. Voando pelo céu idílico da seresta brasileira, esse objeto não identificado provoca a interpenetração dos âmbitos físico-objetivo e metafísico-subjetivo. Atento à ambiguidade de uma canção “não identificada”, Duprat dilui a fronteira entre arranjo e soundscape, recorrendo a sonoridades típicas de trilhas sonoras de filmes de ficção científica norte-americanos dos anos 1950. Essa viagem sonora, no entanto, vai além da paisagem habitada por alienígenas, simulando ao mesmo tempo um vôo psicodélico que sugere a fusão entre o self e o mundo, tal como experimentada no final dos anos 1960 pelos usuários de LSD. Com esta análise, procuro discutir a importância do arranjador e do arranjo na definição dos sentidos de uma canção fonografada, considerando, portanto, o poder simbólico da música e do som em um dado contexto histórico-cultural.

Palabras clave

Música popular brasileira – Tropicália – arranjo de canção – paisagem sonora – música fílmica – paródia.

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O imaginário do amor romântico na canção midiática: mapeamento dos elementos simbólicos do amor romântico no pop-rock internacional e brasileiro

Sílvio Anaz

Resumo

Este artigo apresenta um mapeamento do imaginário do amor romântico na canção midiática brasileira e internacional entre os anos 1950 e 2000. Ele desenvolve-se a partir da identificação dos principais elementos simbólicos presentes em repertórios representativos dos gêneros pop e rock que foram sucessos no Brasil e no cenário internacional (anglo-americano) no período. O estudo se fundamenta no conceito antropológico do imaginário de Gilbert Durand e na análise textual de Roland Barthes. Utiliza-se a classificação dos regimes de imagens propostos por Durand na análise dos elementos simbólicos responsáveis pelos pontos de partida de sentidos nas canções e suas semioses. O resultado é um mapa da composição do imaginário do amor romântico no pop-rock brasileiro e internacional.

Palavras-chave

Imaginário – amor romântico – canção midiática – pop-rock – semiótica.

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Virilidade, machismo e violência: o ethos guerreiro no hip-hop brasileiro

Gustavo Souza Marques

Resumo

Este artigo integra a dissertação de mestrado “O som que vem das ruas: cultura hip-hop e música rap no Duelo de MCs” (2013). A temática dessa pesquisa circunda a realidade social e musical de um dos eventos de cultura hip-hop e música rap mais importantes do Brasil: o Duelo de MCs, realizado em Belo Horizonte, Minas Gerais. A cultura de rua e suas implicações na musicalidade urbana apontam a predominância de um pensamento masculinizado que se reflete no discurso territorial, viril e violento observados nas rimas dos MCs. Porém, longe de reduzir a isso a uma pobreza de discurso ou limitação cultural, se entende que esse contexto verbal e agressivo faz parte de uma estrutura maior: a própria sociedade na qual vivemos.

Palavras-chave

Rap hip-hop – cultura urbana – ethos – duelo de MCs.

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Análise do direito de autor de obras musicais no Brasil e na Argentina

Luciana Rodrigues de Mesquita e Silva

Resumo

O presente trabalho visa a traçar um perfil dos ordenamentos jurídicos Brasileiro e Argentino, investigando a partir da esfera legal, doutrinária e brevemente a judicial, o tratamento que é outorgado à proteção da Propriedade Intelectual. Para tanto, realizaremos um estudo comparativo sobre a Propriedade intelectual, especificamente o Direito de Autor das Obras Musicais nos dois Países.

Palavras-chave

Propriedade intelectual – direito de autor – música – obra musical.

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A presença do fagote na música de concerto brasileira – 1ª parte: séculos XVII ao XIX (1890)

Aloysio Fagerlande

Resumo

O presente trabalho realiza um levantamento de referências do fagote na literatura musical brasileira entre os séculos XVII e XIX. Sob o ponto de vista metodológico, a pesquisa baseou-se no trabalho desenvolvido por J. Kopp (2012), que relaciona o acontecimento musical ao desenvolvimento do instrumento ao longo dos períodos históricos. Esta etapa da pesquisa se encerra em 1890, por ocasião da inclusão do fagote como disciplina no Instituto Nacional de Música, atual Escola de Música da UFRJ.

Palavras-chave

Literatura musical brasileira – performance musical – fagote.

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A ideia de música nacional brasileira: estudo para uma definição do processo evolutivo da característica da música brasileira (Rio de Janeiro, 1961)

Leonardo Lessa (pseud. Vicente Salles), transcr. Marena Isdebski Salles

Resumo

Transcrição e publicação de texto, até então inédito, do saudoso pesquisador Vicente Salles (1931-2013), assinado sob pseudônimo Leonardo Lessa. Além de expressar um ponto de vista sobre questão, tão relevante na época, concernente ao nacionalismo na música brasileira, a importância desse texto para a historiografia musical brasileira reside no registro do processo de escrita do autor, que sugere que este tenha possivelmente surgido de anotações de conferência.

Palavras-chave

Música brasileira – nacionalismo musical – historiografia musical brasileira – musicologia no Brasil – Vicente Salles.

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Homero de Sá Barreto (1884-1924), compositor pós-romântico brasileiro

Maria Alice Volpe

Resumo

Breve balanço historiográfico sobre o pianista e compositor Homero de Sá Barreto (1884-1924), que viveu nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, e sua filiação estético-estilística ao pós-romantismo vinculado à corrente francesa, cuja linhagem de compositores no Brasil veio a fazer a transição para o modernismo. Apresenta também a edição musicológica de Elegia (1914).

Palavras-chave

Século XX – música brasileira – Romantismo – Homero de Sá Barreto – biografia – estudos de recepção.

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MEMÓRIA

Minha parceria com Vicente

Marena Isdebski Salles

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ENTREVISTA

Compondo mundos sonoros: uma entrevista/ensaio com Paulo Costa Lima, celebrando seus 60 anos

Paulo Costa Lima e Guilherme Bertissolo

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ARQUIVO DE MÚSICA BRASILEIRA

Notas introdutórias à Elegia para violoncelo (ou violino) e piano de Homero de Sá Barreto (1884-1924)

Maria Alice Volpe

Resumo

Descrição da documentação utilizada para a preparação da edição da obra musical Elegia, em dó menor, para violoncelo ou violino e piano, até então inédita, do compositor Homero de Sá Barreto(1884-1924), oferecendo ainda informações sobre as audições de época e recepção crítica, conforme os jornais do Rio de Janeiro e São Paulo.

Século XX – música brasileira – Romantismo – Homero de Sá Barreto – partitura musical – estudos de recepção

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Elegia para violoncelo e piano (edição de Maria Alice Volpe, Mário Alexandre Dantas Barbosa, Igor Chagas e Wagner Gadelha)

Homero de Sá Barreto

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